27 janeiro, 2012

Entrevista com Koichi Tohei Shihan - 10° Dan



O Aikido cresceu explosivamente desde a Segunda Guerra Mundial. Koichi Tohei, um destacado colaborador neste desenvolvimento, é talvez uma das pessoas mais qualificadas para falar a respeito da história do Aikido. A maioria dos shihan do aikido da atualidade (mesmo aqueles de sétimo dan ou acima), foram, em algum tempo, instruídos por Tohei.

Sentindo fortemente que as gerações futuras decidirão seu próprio destino, Tohei optou por falar muito pouco durante os anos. Afinal, com a condição de que nós mostrássemos as atividades da sua organização e o seu pensamento como são, Tohei Sensei finalmente concordou com esta entrevista exclusiva para o Aikido Journal.

Como o único aluno de Morihei Ueshiba a ser oficialmente detentor do décimo dan e uma figura que ocupou uma posição de central importância no mundo do Aikido pós-guerra, Tohei teve a oportunidade de falar francamente conosco a respeito de suas opiniões e experiências.

Os Princípios do Céu e da Terra e a Minha Abordagem da Vida

AJ: Sensei, fale-nos a respeito da sua abordagem do Aikido.

Tohei Sensei: Enquanto nos movemos em direção ao século XXI, o mundo em que vivemos vai se tornando mais e mais relativo. Por haver frente, também existe atrás. Por haver acima, existe também abaixo. Dentro deste mundo relativo, nada é absoluto em sua correção. Não é possível, por exemplo, que o norte seja correto enquanto que o sul não. Ambos são simplesmente "fatos".

O único caminho seguro para estar absolutamente correto é evitar ser apanhado no redemoinho dos chamados fatos do mundo relativo, e ao invés disso, estar em concordância com os princípios absolutos do Céu e da Terra. Quando se tornam o padrão de julgamento, que está de acordo com os princípios do céu e da terra está correto, enquanto que o contrário, não.

A ação decisiva nasce de um entendimento daquilo que está de acordo com os princípios do Céu e da Terra. A falta desta compreensão conduz ao "esforço não razoável" ou muri, cujo significado literal é "ausência de princípio", e deve ser evitado. Este sempre foi o meu modo de pensar e a razão pela qual evitei escrupulosamente agir de forma que envolvesse esforço inútil ou que fosse contra esses princípios.

O Aikido é essencialmente um caminho para estar em harmonia com o ki do Céu e da Terra. No entanto, muitos daqueles que estão envolvidos no budo tendem a falar de coisas que são ilógicas e envolvem um esforço inútil, coisas que são impossíveis. Mas o meu modo de vida é evitar fazer qualquer coisa que não esteja de acordo com um princípio.

Estórias e Realidade: O que realmente aprendi com Mestre Ueshiba?

AJ: Qual foi a coisa mais importante que o senhor aprendeu com Morihei Ueshiba?

Tohei Sensei: A forma como as pessoas falam a respeito de ki hoje em dia tende ao ocultismo, mas eu diria que nunca fiz qualquer coisa, mesmo remotamente, envolvendo o oculto. Muito daquilo que Ueshiba Sensei falava, por outro lado, soava mesmo como oculto.

No meu caso, comecei a estudar Aikido porque vi que Ueshiba Sensei havia dominado verdadeiramente a arte do relaxamento. Era por estar relaxado de fato, que ele podia gerar tanto poder. Me tornei seu aluno na intenção de aprender isto com ele. Para ser honesto, nunca dei ouvidos para a maior parte das outras coisas que ele dizia.

Estórias sobre Ueshiba Sensei movendo-se instantaneamente ou arrancando pinheiros do chão e dobrando-os são apenas estórias. Sempre adverti as pessoas no Aikido a evitarem escrever sobre coisas como essa. Infelizmente, muitos pareceram não ouvir. Ao invés disso, elas simplesmente diminuíam o tamanho da árvore na estória, de algo enorme para somente cerca de 10 cm de diâmetro. Na realidade, é muito difícil arrancar até mesmo uma única raiz da terra, assim, como alguém no mundo poderia extrair um pinheiro de dez centímetros, especialmente estando de pé sobre seu sistema de raiz? Tais coisas não são nada além de exageros do tipo que são usados em contos à moda antiga. 

As estórias se tornaram ainda mais incríveis desde que Ueshiba Sensei faleceu e agora as pessoas o têm movendo-se instantaneamente e reaparecendo de repente a um quilometro de distância e outras loucuras. Estive com Ueshiba Sensei durante muito tempo e posso dizer-lhes que ele não possuía poderes sobrenaturais.

AJ: Sensei, o senhor parece em muito boa forma para um homem perto dos setenta e seis anos. Sempre foi assim?

Tohei Sensei: Na verdade, eu era bastante frágil quando criança. Meu disse pai que eu precisava ficar mais forte e me fez começar judo, que treinei na Universidade Keio. Treinei duro e finalmente cresci mais forte, mas depois de entrar para o programa preparatório em Keio, um ataque de pleurite forçou um afastamento de um ano. Meu vigor tão duramente conquistado começou a sumir outra vez.

Incapaz de suportar o pensamento de perder aquilo pelo qual eu tinha trabalhado tanto para conseguir, substituí o judo por outras formas de treinamento tais como zazen (meditação Zen sentada) e misogi (purificação). Eu jurei que não deixaria minha força desaparecesse outra vez, mesmo que isso me matasse. Preocupar-me com a minha saúde e viver como um semi-inválido não fazia nada pela minha recuperação, e assim mandei tudo para o alto, e disse a mim mesmo que eu deveria lançar-me no treinamento, ainda que isso me matasse. O Aikido fazia parte desse treinamento também. Concentrei-me em manter-me forte e em algum ponto, os raios-X mostraram que a pleurite estava completamente curada. Surpreendentemente, eu tinha ficado bom.

Embora as idéias fossem um pouco vagas na época, eu tinha uma sensação de que foram minha mente e espírito (kokoro) que motivaram meu corpo. Compreendi que o estado mental é importante. A doença física é normal (embora indesejável), mas é inaceitável permitir que a doença se estenda à sua mente ou ao seu ki.

Em japonês, quando o corpo sofre de alguma disfunção, chamamos a isso yamai ou byo, que significa simplesmente "mal-estar"; mas quando o distúrbio se estende para o ki também, chamamos byoki. Assim, embora meu corpo possa estar afetado por algum tipo de mal-estar, não devo deixar que ele se estenda ao meu ki. Se a mente estiver saudável, o corpo seguirá. 

Além disso, estando afastado do judo por quase dois anos, na época em que obtive o meu segundo dan, todos já tinham sido promovidos a quarto ou quinto dan. Mesmo muitos dos terceiro dan haviam progredido muito além de mim, e podiam lançar-me por todo o lado. Aquilo não era muito interessante e nem muito divertido.

Esperando fortalecer-me, fui para casa e comecei a chutar levemente os pilares ao redor da construção. Depois de fazer isso umas duas mil vezes por dia, contudo, as paredes começaram a cair. Minha irmã mais velha não gostou muito disso e me fez ir para fora, no jardim. Depois de umas poucas semanas, eu conseguia mover meus pés com a mesma agilidade e destreza que as mãos. Voltei ao dojo e era capaz de arremessar todos>

Conhecendo Morihei Ueshiba

AJ: Quando o senhor entrou para o Ueshiba Dojo?

Tohei Sensei: Acho que foi em 1940. Kisaburo Osawa entrou cerca de uma semana depois. 

Eu pensava no quanto era pobre o estado de coisas, tanto que eu podia treinar por minha conta por um par de semanas e voltar e lançar todos no dojo de judo. "Por que me aborrecer com uma arte marcial como essa? Pensei. Foi quando conheci Ueshiba Sensei. Shohei Mori, um dos meus seniores no clube de judo e que trabalhou na Manchurian Railway, me contou a respeito de um professor com uma força fenomenal e me perguntou se eu gostaria de conhecê-lo. Deu-me uma carta de apresentação e eu fui.

Ueshiba Sensei estava fora quando cheguei ao dojo e fui recebido por um uchideshi chamado Matsumoto. Perguntei a ele o que era o Aikido afinal. Ele respondeu, "Dê-me a sua mão e eu mostrarei." Eu sabia que ele ia fazer alguma coisa comigo, assim estendi a minha mão esquerda ao invés da direita. Ficando com a direita livre, eu queria manter a minha mão mais forte na reserva. Ele agarrou meu pulso e aplicou um nikkyo contundente. Eu não havia fortalecido aquela parte do meu corpo, assim foi agonizante. Tenho certeza de que fiquei pálido, mas eu não ia deixar que ele levasse a melhor, assim agüentei a dor tanto quanto pude. Então desferi um soco com a minha mão direita e ele ficou perturbado e largou. 

Eu comecei a pensar que se o aikido era aquilo, deveria esquecer e voltar para casa. Foi então que O Sensei retornou. Mostrei minha carta de apresentação e ele disse " Ah, sim, de Mr. Mori..." E então, como demonstração, começou a arremessar um dos maiores uchideshi pelo dojo.

Pensei que aquilo parecia algum tipo de farsa até que Ueshiba Sensei me disse para tirar o casaco e ir até ele. Assumi uma posição de judo e me movimentei para agarrá-lo. Para minha grande surpresa, ele me arremessou tão suave e velozmente que não pude sequer imaginar o que havia acontecido. Soube na hora que era aquilo que eu queria fazer. Pedi permissão para me inscrever imediatamente e comecei a ir ao dojo todos os dias, a partir da manhã seguinte. 

Achei o treinamento muito estranho e misterioso, e estava ansioso para saber como as técnicas eram feitas. Quando alguém usa força para lançar você, há sempre alguma coisa que você pode fazer para reagir ou contra-atacar. Mas a estória é diferente quando a pessoa não está fazendo nada em particular e você continua a ser arremessado. Pensei, "Uau, isso sim!"

No começo eu não tinha idéia do que estava acontecendo. Até mesmo colegiais podiam me atirar sem qualquer problema. Achando tudo aquilo bastante ímpar, tentei agarrar mais e mais fortemente, mas é claro então que eu era apenas lançado com muito mais facilidade. 

Ao mesmo tempo, eu continuava a treinar no Ichikukai (veja a entrevista com Hiroshi Tada para mais informações). Eu costumava ficar lá a noite inteira praticando zazen e misogi. O treinamento se dedicava a alcançar um estado iluminado no qual tanto o corpo como a mente se tornassem inteiramente livres de restrições. Era exaustivo e depois disso eu ia praticar aikido, quase morto de cansaço. Para minha surpresa, descobri que nesse estado, as pessoas que sempre podiam me arremessar ficavam completamente incapazes de fazê-lo! Além disso, eu não precisava fazer muito esforço para arremessá-los. Todos acharam estranho e diziam coisas como, "O quê está acontecendo com Tohei?. Ele "pula" a prática e volta mais forte do que nunca.!"

É bem mais difícil ser arremessado por alguém se você esvazia a sua força e também é muito mais fácil arremessar seu oponente. Pensei sobre O Sensei e compreendi que ele, sem dúvida, praticava o seu aikido relaxado. Foi quando de repente entendi o verdadeiro significado do "relaxamento". 

Meu aikido continuou a progredir à medida que eu continuava com o meu misogi e zazen. Cerca de seis meses depois, eu estava sendo até mesmo mandado para ensinar em lugares como a academia da polícia militar em Nakano e em outras academias particulares (juku) de Shumei Okawa. Ninguém exceto Sensei podia me arremessar. Levou apenas meio ano para me tornar capaz de obter aquele grau de habilidade, assim pensei que levar cinco ou dez anos é devagar demais. 

Mesmo hoje a maioria das pessoas estão lutando para aprender as técnicas ao máximo, mas eu aprendia a respeito do ki desde o começo.

AJ: Quando foi que o Senhor entendeu que O Sensei havia dominado a "arte do relaxamento"?

Tohei Sensei: Provavelmente foi quando ele vivia em Ayabe e estava profundamente envolvido com a religião Omoto. Ueshiba Sensei sempre contava uma estória sobre um dia em ele estava em pé próximo a um poço se enxugando depois do treino quando de repente entendeu que seu corpo se tornara perfeito e invencível, e compreendeu com uma clareza notável o significado dos sons dos pássaros e insetos e tudo o mais ao seu redor. Aparentemente, esse estado durou cerca de cinco minutos, mas acho que foi quando ele dominou a arte do relaxamento. 

Infelizmente, ele sempre falava sobre essa experiência usando expressões religiosas, que eram mais ou menos incompreensíveis para os outros.

Antes da guerra, Sensei ensinava no Naval Staff College, onde tinha por aluno o Príncipe Takamatsu (um irmão mais novo do Imperador Showa). Em certa ocasião, o Príncipe apontou para Ueshiba Sensei e disse, "Tente levantar aquele senhor ". Quatro fortes marinheiros tentaram de tudo para levantá-lo, mas não conseguiram. 

Sensei disse na época, "Todos os espíritos divinos do Céu e da Terra entraram em meu corpo e eu me tornei imóvel como uma rocha". Todos entenderam literalmente e acreditaram nele. Eu o ouvi dizer esse tipo de coisa centenas de vezes.

Por meu lado, nunca tive seres divinos entrando em meu corpo. Nunca pus muita fé nesse tipo de explicação ilógica. 

Uma vez quando estava com Sensei no Havaí, havia uma demonstração em que se esperava que dois fortes alunos havaianos tentariam me levantar. Eles sentiam que não conseguiriam, assim não estavam muito preocupados. Mas Sensei, que observava, levantou-se dizendo, "Parem, vocês podem levantar Tohei, podem levantá-lo!!. Parem, façam-nos parar! Esta demonstração não está boa!"

Sabe, eu fiquei na rua bebendo até três horas da manhã na noite anterior e Sensei sabia das condições em que voltei para casa. Ele disse, "É claro que os deuses não vão entrar em um bêbado como você! Se o fizerem, todos ficarão tontos!" É por isso que ele achava que eram capazes de me levantar.

Na realidade, este tipo de coisa nada tem a ver com deuses ou espíritos. É apenas uma questão de possuir um centro de gravidade baixo. Sei disso e é o que ensino a todos os meus alunos. Isso não significaria nada se apenas algumas pessoas especiais possam fazer isso. Estas coisas têm que ser acessíveis para todos se realmente têm significado.

As pessoas com os chamados "poderes sobrenaturais" são normalmente as únicas que podem fazer aquilo que afirmam. Os outros não podem fazer o que elas fazem e elas não podem ensinar, porque aquilo que fazem não é real; é farsa. Qualquer um pode fazer o que ensino. Elas estão vivas nas técnicas do aikido tal como são. Tudo o que você precisa saber é como fazer certo, e vê-las como poderes sobrenaturais que requerem a presença de algum deus ou outra coisa assim é um grande engano. Vejo isto como minha responsabilidade para ensinar corretamente. 

A personalidade de Morihei Ueshiba

AJ: Havia algumas personalidades notáveis no dojo em 1940 ou 1941 - alguém que pudesse mais tarde fazer um nome por si mesmo?

Tohei Sensei: Não havia ninguém assim quando cheguei. Não havia alunos e raramente algum uchideshi.

AJ: Quais foram as suas impressões mais fortes de Ueshiba Sensei?

Tohei Sensei: Ele me parecia um senhor muito simpático. Sorrindo, você sabe. De muitas maneiras, ele tinha uma personalidade bastante infantil.

AJ: Temos uns poucos documentos a respeito de O Sensei, mas é ainda muito difícil conseguir uma foto dele em seu dia-a-dia. Ele conversava sobre coisas corriqueiras, assuntos de todo o dia? Nas gravações que temos, ele quase que parece ser de outro planeta. 

Tohei Sensei: Sim, entendo o quê você quer dizer. Certamente ele falava.

AJ: Ouvi dizer que algumas vezes, ele explodia de raiva de repente.

Tohei Sensei: Sim, isso acontecia com freqüência. Ele era gentil com as mulheres, todavia. Curiosamente, sua raiva nunca era direcionada em especial à pessoa com quem se supunha, estivesse zangado. Era como se ele estivesse apenas furioso consigo mesmo, incapaz de ou não desejando dirigir sua raiva ao objeto.

Uma vez um jovem aluno chamado Kurita notou que Sensei moveu-se um pouco em sua cadeira e foi ajustá-la para ele. Sensei explodiu e pediu para saber o que ele estava fazendo. O pobre rapaz não tinha idéia do que estava acontecendo até que eu expliquei que Sensei interpretou mal a ação, tomando-a como algum tipo de brincadeira.

AJ: Qual foi a atitude de O Sensei quando o senhor começou a basear seus ensinamentos nos princípios do ki?

Tohei Sensei: Ele ficou enciumado e disse às pessoas que não me dessem ouvidos. Ele dizia, "O aikido é meu, e não de Tohei. Não escutem o que Tohei diz." Ele aparecia no dojo dizendo coisas assim, especialmente quando eu ensinava um grupo de mulheres. A esse respeito, ele era bastante infantil, em sua objetividade e falta de sofisticação - muito espontâneo e inocente.

Pessoas ligadas a várias religiões vinham ao dojo e tiravam dinheiro dele , bajulando-o com nomes como "Morihei Ueshiba, o kami do aikido." Dificilmente ele gastava dinheiro consigo mesmo, mas parecia sempre estar sempre atrás de dinheiro porque continuava a desperdiçá-lo com pessoas como aquelas.

Recebendo o Décimo Dan

Fui o primeiro a ser oficialmente promovido a décimo dan. Originariamente, o oitavo dan era o grau máximo, mas Gozo Shioda , do Yoshinkan começou a promover muitas pessoas. Kisshomaru Ueshiba e o Sr.Osawa decidiram que seria útil para estabelecer mais firmemente o Hombu Dojo se criássemos o nono dan, que ofereceram para mim. Disse-lhes que eu achava desnecessário criar qualquer graduação mas alta do que as que já tínhamos, mas eles insistiram que isso ajudaria a fortalecer o Hombu Dojo, assim, finalmente concordei. Comemoramos a nova graduação em Ginza, um bairro de entretenimentos. Tanto Gozo Shioda como Kenji Tomiki estavam lá.

Enquanto estive nos Estados Unidos, entretanto, cinco outras pessoas foram também promovidas ao nono dan, e eles tentaram manter o fato em segredo de mim. Pensei que não havia nada a ser feito a respeito - coisas como essa iriam fatalmente acontecer com um professor como aquele - e decidi não me preocupar com isso.

Quando voltei a Tokyo, fiquei surpreso por encontrar Ueshiba Sensei me esperando no aeroporto - a primeira e única vez que ele havia feito isso. Quando chegamos em casa, ele me pegou para uns drinques e pouco depois eu sorria e começava a ficar alegre. Ele pareceu apreciar isso e até mesmo levantou-se para fazer uma dança tradicional que o divertia. Tudo isto, é claro, era porque ele pensou que eu devia estar irritado(irado?) com o fato dele ter promovido cinco outra pessoas ao nono dan, depois de me dizer que eu seria o único. Ao ver que eu não estava absolutamente irritado a respeito, ficou de bom humor outra vez. 

Dois ou três dias depois, ele começou a me pedir que aceitasse o décimo dan. Eu disse, "Sensei, por favor não me peça para fazer isso. Se o senhor fizer de mim décimo dan, isso não terá mais fim!" Ele concordou com o meu pedido e assim permaneci nono dan por um tempo. Cerca de três anos depois, entretanto, pouco antes do câncer tomá-lo, ele me pediu outra vez. Disse "Koichi-chan, por favor, aceite o décimo dan." Me senti obrigado a concordar, porque seria desrespeitoso continuar a recusar e fazê-lo implorar para que eu o aceitasse.

Não demorou muito para que as pessoas dissessem que eu não era o único a receber o décimo dan. Para evitar problemas, ofereci-ma para devolver o grau, mas Mr. Osawa interveio e conseguiu que fosse colocado o numero "1" em meu certificado para atestar este, e não os outros, era oficial. Houve também uma grande festa no Akasaka Prince Hotel para celebrar a promoção. 

Desde que me separei do Aikikai, ninguém mais foi admitido ao grau de décimo dan, mas tão logo parti, todos começaram a reclamá-lo.

AJ: O Senhor disse que ao começar a fundamentar os seus ensinamentos nos princípios do ki, O Sensei ficou enciumado e disse a todos que não lhe dessem ouvidos. Por outro lado, ele o promoveu a décimo dan. Quais eram suas intenções ao agir assim? Ele o estava reconhecendo ou não?

Tohei Sensei: Acho que ele me reconheceu e aceitou. Ele estava bem consciente de que não havia outro igual a mim na época, e provavelmente sentiu que caso não me promovesse, não poderia promover outros. Mas por possuir aquela qualidade infantil, ele não pode esperar e foi adiante, fazendo-o de qualquer maneira. 

AJ: Como Kisshomaru (o atual Doshu) viu a questão?

Tohei Sensei: Em princípio, Kisshomaru pretendeu manter uma certa distância do Aikido. Ele teria dito, "Meu pai e pessoas como o Sr. Tohei vieram a este mundo para fazer o Aikido". Embora eu tenha nascido nesta família e com as suas tarefas, prefiro mais uma casa em uma colina da qual eu possa ir para o trabalho pela manhã e voltar à noite." Ele esperava assumir um papel mais administrativo como diretor geral da organização, mais do que ser um centro dos ensinamentos. Quando Ueshiba Sensei faleceu, o Sr. Nao Sonoda veio com uma proposta de fazer de Kisshomaru um diretor geral e de mim, o Segundo Doshu. No entanto, Ueshiba Sensei havia me pedido para fazer tudo o que pudesse por Kisshomaru, e assim fiz todos os esforços para que ele assumisse o papel que o colocava tanto como o centro dos ensinamentos como da administração, que é como finalmente funcionou.

Tive o privilégio de estar ao lado de Sensei durante as suas últimas horas. Disse-me, "Koichi-chan, é você? Quero pedir-lhe para, por favor, fazer aquilo que puder por meu filho." Respondi que embora eu nada tivesse com aquilo, ele não tinha nada com que se preocupar. "Está bem... Peço isto a você", ele disse, e pouco depois, deu seu último suspiro.

O Sr. Sonoda sugeriu muitas vezes que eu deveria me tornar o Doshu, mas eu estava determinado a cumprir minha promessa. Para permitir que Kisshomaru assumisse um papel estável , lancei a idéia de que ele deveria ser tanto o Doshu como o diretor administrativo. Ele expressou sua gratidão por meus esforços na época, mas cerca de um ano mais tarde, sua atitude mudou. Foi exatamente nessa época que ele foi aos Estados Unidos e começou a tirar minha foto das paredes dos dojos lá.

Separação do Aikikai

AJ: Isso foi por volta de quando?

Tohei Sensei: Cerca de três anos depois que Ueshiba Sensei faleceu, em 1971 ou 1972. Antes disso, quase todos os dojos americanos mostravam ambas as fotos, mas Kisshomaru começou a mandar tirar a minha, colocando a sua no lugar. 

Parece que o senhor gozou de um bom relacionamento durante o período imediatamente posterior à morte de O Sensei. Por que esse relacionamento se deteriorou depois?

Em 1971 , propus que ensinássemos especificamente o conceito de ki dentro do Aikikai. Senti que simplesmente ir através dos movimentos de prática das técnicas, mais ou menos num nível superficial não resultaria em Aikido, porque o aikido envolve ki. Sugeri a Mr. Osawa que criássemos uma aula de ki, como base para as pessoas no Aikido. Ele rejeitou a idéia no interesse do Aikikai, dizendo que o Aikido do Aikikai é o de Kisshomaru, e que por isso, os ensinamentos dele é que deveriam formar o núcleo do treinamento. Compreendi que não havia espaço para ensinar nesse ambiente e perguntei se estaria bem se eu continuasse com a minha sugestão fora do dojo. Isso seria ótimo, disseram, assim saí e criei uma aula que enfocou os ensinamentos sobre o ki e não as técnicas do Aikido.

Acho que os meus ensinamentos de ki contribuíram muito para o crescimento do Aikido. Simplesmente ir e vir na prática das técnicas do Aikido está bem para estudantes e outros jovens, mas as pessoas mais velhas com menos vigor tendem a abandonar pouco depois. Minhas palestras sobre ki eram bem recebidas por vários tipos de pessoas, incluindo grupos de executivos de alto nível - gerentes e presidentes e pessoas assim. Entretanto, tanto Mr. Osawa como Kisshomaru encararam aquilo que eu fazia com algo tirado do Aikido.

Nos Estados Unidos, as pessoas entendem o Aikido em termos de expressões como " um questão de mente". No Japão, contudo, o Aikido é simplesmente chamado de Aikido, assim achei que era necessário estabelecer o conceito de ki também no Japão. 

O Sr. Osawa era um homem muito bom e ouviu o que eu tinha a dizer. Na época, no entanto, ele se esforçava para apoiar Kisshomaru e tentou prevenir as pessoas de participarem do meu treinamento. 

Eles me recusaram permissão para ensinar sobre ki dentro do Aikikai, mas eu disse que era livre para fazer o que quisesse fora. Com esse entendimento, comecei minha aula no Olympic Center. Provou ser muito popular e em três meses, cem alunos estavam inscritos. O Sr. Osawa ficou surpreso quando ouviu a respeito e veio a mim perguntar se eu estaria interessado em dar essa aula dentro do Aikikai! Fiquei muito irritado e disse que achava ser um pouco tarde para isso.

Nenhuma das pessoas que freqüentavam minha aula de ki sabia qualquer coisa sobre Aikido e não estavam interessadas, na verdade, em saber, já que não era aquilo que elas vinham aprender. Isso não teria acontecido se eu pudesse ter criado uma aula de ki dentro do Aikikai para começar. Dada a posição em que Mr. Osawa se encontrava, eu sabia que ele teve que recusar, mas acho que ele sempre se sentiu mal a respeito. Quando o quartel-general do Ki no Kenkyukai (Ki Society) foi construído na Prefeitura de Tochigi em 1990, o Sr. Osawa me contatou em particular e fez uma pequena contribuição.

Estórias do Aikido no pós-guerra

AJ: Que tipo de pessoa entrou para o Aikikai depois da guerra?

Tohei Sensei: Ensinei muitas das pessoas que hoje são professores... Tada, Arikawa, Yamaguchi, Okumura, Yamada, Chiba. Yamada ainda aparece de vez em quando.

AJ: O Senhor tem estórias memoráveis do treinamento na época ?

Tohei Sensei: Bem, nada que seja tão interessante. 

Uma vez quando tomei uma bebedeira, eu treinava com Tamura, que está na França agora. Eu disse, "Veja, algumas vezes vou arremessá-lo forte, por isso, tenha cuidado." Ele deve ter subestimado minhas palavras, pois quando o arremessei , ele foi voando pelo dojo e atravessou a janela de vidro com o braço. Ele deveria ter tentado parar nesse momento, mas ao invés disso, tentou puxar o braço imediatamente e acabou se ferindo nos cacos. Quando vi o que ele havia feito, fiquei zangado e sem pensar, gritei com ele por não ter esperado até que ele pudesse tirar o braço com segurança. Me arrependi imediatamente e compreendi que era cruel gritar com ele daquela maneira, no instante do ferimento. Me desculpei, levando-o para uma noitada na cidade. 

Uma outra vez, levei Tamura e Chiba para uma demonstração em Hiratsuka. Foi durante a Ocupação e por isso, a maioria das demonstrações de vários tipos de artes marciais estavam proibidas. Para uma demonstração de Aikido, no entanto, foi dada permissão e a realizamos diante do comando da guarnição naquela área. Nossa explicação do princípio da não-competição no Aikido foi bem recebida e pareceu encontrar simpatia junto à audiência.

Durante a demonstração, fiz uma técnica na qual eu dei uma rasteira em Chiba com um jo. Ele próprio se ajustou para acompanhar o movimento. Mas eu detesto quando as pessoas fazem a queda desnecessária e propositadamente assim, então eu disse a ele que deixasse de fazer coisas desnecessárias e arremessei-o com toda a minha força. Ele virou completamente de ponta-cabeça a baixo e quase veio ao chão de cabeça. Por um momento, temi ter feito algo terrível a ele, e fiquei aliviado ao ver que , de alguma forma, ele aterrissara em segurança. 

Havia um aluno meu que entrou para o Aikikai e era elogiado por seu bom ukemi e acompanhava Ueshiba Sensei com freqüência. Eu o usava como uke durante uma demonstração no Hibiya Kokaido (local de demonstrações de Aikido de todo o Japão antes do Budokan começar a ser usado), mas ele começou a rolar antes que eu tivesse feito o arremesso. Eu disse, "O quê diabos você está fazendo, caindo antes mesmo de começar a lançá-lo? Saia daqui!" Havia muitos espectadores presentes e acho que eles ficaram bem surpresos, mas foi também uma oportunidade inesperada para que vissem que as técnicas do Aikido não são uma farsa nem tampouco pré-arrajandas.

Quando eu estava com quarenta e nove anos, fiz um filme educativo de no qual pessoas como Masando Sasaki e Seishiro Endo aparecem como meus uke. Endo apareceu também num livro chamado Shinshin Toitsu Aikido, que é, na maior parte, de fotografias. Ensinei Saotome e Ichihashi também, vez ou outra. 

AJ: O senhor tem alguma anedota interessante da época posterior à sua saída do Aikikai?

Tohei Sensei: Cerca de dez anos atrás na França, a grupo de alunos de Tamura veio para me ver. Aparentemente, Tamura pensou que devido a minha idade, eu provavelmente não estaria mais fazendo Aikido e deveria estar só trabalhando com ki. Parece que eles vieram para ver com seus próprias olhos se isso era realmente verdade e acho que também para dar uma olhada em um décimo dan. Escolhi oito deles para me atacarem em randori. Foram para casa dizendo, "Bem, parece que Tamura Sensei está enganado!"

Compreensão de uma simples afirmação de Tempu Nakamura.

AJ: De que maneira o Shinshin Toitsu Aikido é diferente daquele do fundador Morihei Ueshiba?

Tohei Sensei: Quando fui ao Havaí e tentei usar as técnicas que havia aprendido com Ueshiba Sensei, descobri que muitas delas eram ineficientes. O que Sensei dizia e aquilo que fazia eram duas coisas diferentes. Por exemplo, a despeito do fato de que ele próprio estava muito relaxado, dizia aos seus alunos para fazer técnicas contundentes e poderosas. Quando cheguei ao Havaí, no entanto, havia dois sujeitos tão fortes quanto Akebono e Konishi (dois conhecidos lutadores de sumo havaianos) por todo o lugar. Simplesmente não há como usar força ou poder para triunfar contra esse tipo de força. 

Quando você está firmemente imobilizado ou controlado, as partes do seu corpo que estão diretamente imobilizadas não podem se mover. Tudo o que você tem a fazer é iniciar um movimento com aquelas partes que você pode mexer, e a única maneira de fazer isso com sucesso é relaxar. Mesmo que o seu oponente o tenha preso com toda a sua força, você ainda pode lançá-lo num vôo se estiver relaxado ao fazer o arremesso. Isto é algo que experimentei em primeira-mão, durante aquela viagem ao Havaí e quando retornei ao Japão e dei uma outra olhada em Ueshiba Sensei, compreendi que ele, sem dúvida, aplicava sua técnicas em um estado muito relaxado.

Tohei Sensei: Enquanto estive com Ueshiba Sensei, estudava também com Tempu Nakamura. Foi ele quem primeiro me ensinou que " a mente move o corpo". Essas palavras me atingiram como um raio de eletricidade e me abriram os olhos para o verdadeiro conhecimento do Aikido. A partir desse ponto, comecei a rever todas as minhas técnicas de Aikido. Joguei fora técnicas que iam contra a lógica, selecionando e reorganizando aquelas que senti que eram utilizáveis.

Hoje o meu Aikido consiste de cerca de 30% das técnicas de Ueshiba Sensei e de 70% minhas próprias. 

Provavelmente, você pode dizer que foi no Havaí que fiz o meu treinamento mais importante (shugyo). A propósito, razão pela qual fui ao Havaí em primeiro lugar, foi a convite do Nishikai, um grupo dedicado ao Método Nishi de Saúde. Entretanto, suas intenções tinham a ver com competir com as minhas habilidades marciais contra alguns lutadores e para usar a renda do evento na construção do seu auditório. Não sabia disso até a véspera da minha partida e então já era tarde demais para recusar , assim me conformei e fui mesmo assim.

Os havaianos foram muito francos ao expressarem suas primeiras impressões a meu respeito. Disseram, "Nossa. Sensei, você é bem jovem, não é?" Então disseram, "Nossa, Sensei, você é bem pequeno..." Então foram direto ao ponto dizendo, "Sensei, você tem certeza de que pode realmente fazer isso?" Pensei que a única coisa a fazer era mostrar-lhes que eu podia e deixar que vissem por si mesmos. Depois daquilo, todos os artistas marciais do local e lutadores se tornaram meus alunos. O Hawaii Aikikai foi fundado oito meses depois e me fizeram um capitão honorário vitalício da força policial local. Ueshiba Sensei nunca foi testado dessa forma em sua vida inteira. 

AJ: Gostaríamos de perguntar a respeito de técnicas com armas. No Aikikai Hombu Dojo há alguns shihan que afirmam que o Aikido moderno não tem técnicas com armas. Por outro lado, há professores como Morihiro Saito que integram as armas ao ensino de técnicas desarmadas (taijutsu). Na sua visão, as técnicas com armas são parte do Aikido ou não?

Tohei Sensei: Dizer que não há técnicas com armas em Aikido é ridículo. As pessoas dizem isso porque não as conhecem. Venha ver o que fazemos com as armas na Ki Society. Há também um vídeo educativo. Que no Aikido existem técnicas com armas é apenas senso comum e é uma vergonha que as pessoas digam o contrário. Fico pensando, será que devo ir lá e ensiná-los?

O Sr. Yoshio Sugino (Dojo-cho do ramo do Kawasaki Aikikai, Yushin Dojo, e décimo dan em Katori Shinto-ryu) assistiu a um dos nossos exames de treinamento físico. Vendo as técnicas com armas dos nossos membros, ele os elogiou, "Vejo que você tem dezenas de aspirantes a O-Sensei aqui."

AJ: Tohei Sensei, agradecemos por seu tempo em conversar conosco.

(Excerto do Aikido Journal, ed. #107 - Traduzido por Emy Yoshida - Dojo Central)

Biografia de Koichi Tohei:

Nascido em 1920 em Tóquio, mudou-se quando jovem para a Prefeitura de Tochigi, onde passou sua juventude. Sua saúde frágil durante a infância forçou-o a visitar o hospital com freqüencia. Pela insistência de seu pai, começou a praticar judo. Fortalecendo-se em certo grau, aos quinze anos obteve sua faixa preta e aos dezesseis, entrou para o programa preparatório da Universidade Keio. Continuou a praticar judo entusiásticamente, mas contraiu uma pleurite como resultado do treinamento excessivo e foi forçado a deixar a escola por um ano. Durante esse período, dedicou-se ao treinamento pessoal em misogi kokyuho, Zen e outros tipos de disciplina.

Aos dezenove anos, conheceu Morihei Ueshiba e se tornou seu aluno. No curto período de meio ano, tornou-se o representante do fundador (dairi) e, sem ter recebido ainda qualquer grau oficial em aikido, foi enviado para ensinar na Academia de Polícia de Nakano e na escola particular de Shumei Okawa.

Aos vinte e três anos, foi convocado para o serviço militar e aprendeu sob fogo o segredo de dirigir o ki para um ponto no baixo abdomen (seika no ittem).

Entre 1953 e 1971 visitou os Estados Unidos em quinze ocasiões, ensinando e divulgando o Aikido e os princípios do ki . Tohei recebeu o décimo dan do Aikido em 1969. Serviu como Diretor dos Shihan (Shihan Bucho) e Diretor (Riji) do Aikikai até deixar essa organização em 1974.

Tohei fundou a Ki Society (Ki no Kenkyukai) em 1971 (reconhecida como uma organização sem fins lucrativos em 1977), a qual ainda preside. A Ki Society é a única organização no Japão especializada em treinamento de ki que foi reconhecida como entidade sem fins lucrativos pelo Ministério do Bem-Estar Público.

24 dezembro, 2011

A todos os Mestres, Instrutores e alunos



Um Feliz Natal e um Próspero Ano novo. Que a paz de Cristo Jesus, esteja em todos os lares e corações. Que em 2012, continuemos a transmitir corretamente as novas gerações, tudo aquilo que foi repassado por " O SENSEI",  aos seus alunos diretos e, que consecutivamente herdamos, através de nossas genealogias. Que apesar de estarmos físicamente distantes, estejamos todos em um só pensamento, conspirando juntos com o Universo e, perpetuando como raízes de uma grande árvore, a nobre Arte do Aikido, para as futuras gerações, pois esse é o nosso legado.

São os sinceros votos de

Teixeira Sensei
Dojo Cho - Nagare Dojo Aikido


15 dezembro, 2011

Artigos


Como escolher um bom Professor de Aikido
Por Susan Perry
O que deve ser um professor de Aikido?

Nós freqüentemente voltamos a esta pergunta à medida que nos empenhamos em criar novos caminhos em uma arte que nos apresenta uma nova e rara perspectiva de vida.
Aqueles que estudam Aikido medem as coisas através de um espectro amplo e, a concepção de um bom professor de Aikido também é muito
ampla, variando desde alguém que somente ensina a técnica até uma autoridade moral equivalente ao Papa.

Uma opinião é a de que os bons professores de Aikido simplesmente mantêm-se progredindo por conta própria. Nesta visão, uma característica dos bons professores é que eles estão tão ocupados com seu avanço que não têm tempo para olhar para seus seguidores que estão atrás, alguns dos quais podem não ir muito longe. De acordo com esta concepção, os estudantes deveriam se esforçar para seguir os professores embora eles não possam ver o que vem à frente.

Esta visão romântica de ensinar parece Oriental porque insinua que os estudantes deveriam ser discípulos dedicados. É necessária uma tremenda fé para os estudantes seguirem um professor através do desconhecido.

O sistema americano de educação - que distingue "oportunidades de pesquisa" de "ensinamentos pedagógicos" - nutre uma visão semelhante. A capacidade para pesquisar - desbravar novos terrenos em seus campos, adquirir concessões, e inspirar os estudantes mais talentosos - muitas vezes é deixada de lado por aqueles que são contratados para ensinar, que gastam seu tempo afiando suas habilidades de comunicação com estudantes e se preparando para as aulas. Ansiosos no rastro de uma nova informação, pesquisadores focalizam seus olhos à frente - permitindo às vezes que sejam encaixados no estereótipo de professor distraído, irritável, desleixado. Tais pessoas podem ser quase impossíveis de se entender e, ai está um ponto no qual eles não são bons professores. Ainda sim eles são vistos como valiosos porque podem enxergar mais distante que o resto de nós.

Nesta concepção, os professores não precisam ter senso prático. Que diferença faz (pergunte aos defensores desta visão) se os professores podem cuidar de si próprios ou se eles têm algum interesse no mundo cotidiano?

A palavra "shihan" sugere uma outra concepção do que é ser um bom professor. Todas pessoas que foram entrevistadas para o artigo da revista ATM concordaram que o "shihan" deveria ser um modelo dentro e fora do tatami. Ser um shihan implica em ter sabedoria, a qual é refletida em como a pessoa vive sua vida. O shihan ensina vivendo uma vida exemplar.

Sendo assim, o bom shihan não se parecerá muito com um pesquisador distraído e isolado. O shihan precisa ser equilibrado, responsável, uma pessoa prática - alguém que tenha aprendido a viver com sucesso e compaixão no mundo cotidiano.

Esta visão do que é ser um bom professor está profundamente ligada ao pensamento filosófico Ocidental. Na República, Platão sustenta que é a responsabilidade e a compaixão que fazem a pessoa "iluminada" voltar-se novamente para o mundo cotidiano, se tornando assim um professor. E, em suas escritas sobre ética, Aristóteles diz que um professor de moral precisa ser uma "pessoa virtuosa", cuja vida na comunidade mostra aos estudantes um modelo a ser imitado.

Há então, uma concepção de bom professor que achamos no Aikido e nos clássicos da cultura Ocidental como por exemplo: O bom professor é compassivo, responsável e sábio - uma pessoa cuja vida cotidiana nos proporciona um modelo através do qual moldamos a nós mesmos.

É claro que uma conseqüência desta concepção, é que os estudantes devem procurar muito bem o professor certo. Eles têm que ter fé que a pessoa que eles escolherem vai conduzi-los na direção certa pois, sendo estudantes, eles não podem ver o que o professor vê.

O professor compassivo, útil não é aquele que "protelou" ao longo do caminho, mas sim aquele que "enxergou" e agora olha para atrás com sabedoria e compaixão para ajudar outros.

Recebendo esta ajuda, os estudantes não são completamente passivos. Enquanto é verdade que o professor oferece um presente, os estudantes devem de maneira ativa tentar alcançar este presente. E, apesar do que muitos parecem pensar, o presente pode ser recebido mesmo quando o professor e estudante não gostarem um ao outro. Verdadeiros estudantes desenvolvem a habilidade para aprender de qualquer pessoa, havendo um laço de amizade ou não.

No Aikido, todos nós ouvimos que a queda do uke é para receber a técnica. Como estudantes, nós somos todos ukes, todos receptores. O uke não funciona somente com amigos e, o uke não se senta passivamente no tatami e espera ser lançado.











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08 dezembro, 2011

Pegadas e ataques (nomenclaturas)

FORMAS DE EXECUÇÃO DAS PEGADAS


KATATE DORI 
PEGAR O BRAÇO EM BASE OPOSTA, COM UMA DAS MÃOS.
AI HAMMI KATATEDORI
- PEGAR O BRAÇO EM MESMA BASE COM UMA DAS MÃOS.
RYOTE DORI 
- PEGAR OS DOIS BRAÇOS DE FRENTE COM AMBAS AS MÃOS.
KATATE RYOTE DORI 
- PEGAR O MESMO BRAÇO COM AS DUAS MÃOS.
KATA DORI 
- PEGAR UM DOS OMBROS DE FRENTE, COM UMA DAS MÃOS.
RYO KATA DORI 
- PEGAR OS DOIS OMBROS DE FRENTE, COM AMBAS AS MÃOS.
KATA DORI MEN UCHI
- PEGAR EM UM OMBRO E, ATACAR O ROSTO COM A OUTRA MÃO.
MUNA DORI
- PEGAR UMA DAS GOLAS DO DOGUI, COM UMA DAS MÃOS.
USHIRO RYOTE DORI 
- PEGAR OS DOIS BRAÇOS POR DETRÁS DO CORPO, COM AMBAS AS MÃOS.
USHIRO RYO HIJI DORI 
- PEGAR OS DOIS COTOVELOS POR DETRÁS DO CORPO, COM AMBAS AS MÃOS.
USHIRO RYO KATA DORI 
- PEGAR OS DOIS OMBROS POR DETRÁS DO CORPO, COM AMBAS AS MÃOS.
USHIRO ERI DORI 
- PEGAR O COLARINHO DO DOGUI COM UMA DAS MÃOS, POR DETRÁS DO CORPO.
KATATE DORI USHIRO KUBI SHIME 
- PEGAR O BRAÇO COM UMA DAS MÃOS E, ESTRANGULAR COM A OUTRA POR DETRÁS DO CORPO.
KATA SODE DORI
- PEGADA FRONTAL NO DOGUI NA REGIÃO ENTRE O OMBRO E COTOVELO.
SODE DORI
- PEGADA FRONTAL NA EXTREMIDADE DA MANGA DO DOGUI.

FORMAS DE EXECUÇÃO DOS ATAQUES


SHOMEN UCHI 
ATAQUE FRONTAL NA CABEÇA COM A MÃO
MEN UCHI 
ATAQUE NO ROSTO COM A MÃO
YOKOMEN UCHI 
ATAQUE LATERAL NA CABEÇA COM A MÃO
JODAN TSUKI 
SOCO ALTO (CABEÇA)
CHUDAN TSUKI 
SOCO MÉDIO (PLEXO)
GEDAN TSUKI 
SOCO BAIXO (ABDOMEM)
MAE GERI 
CHUTE FRONTAL
USHIRO GERI 
CHUTE PARA TRÁS
YOKO GERI 
CHUTE LATERAL
MAWASHI GERI 
CHUTE CIRCULAR (DE FORA PARA DENTRO)


01 dezembro, 2011

Exames técnicos



EXAME TÉCNICO (4° KYU)
01 DEZ 2011
EXAME TÉCNICO DE 3° E 5° KYUS
07/05/2011

EXAME TÉCNICO DE 4° KYU
01/09/2011
EXAME TÉCNICO DE 2° KYU
03/09/2011
EXAME TÉCNICO DE SANDAN (CAL)
29/10/2011
EXAME TÉCNICO DE 1° KYU
24/11/2011






































20 novembro, 2011

A vida de Miyamoto Musashi


Auto-retrato de Miyamoto Musashi
mostrando a postura  com duas espadas

Conhecido como Kensei, o Santo da Espada, Miyamoto Musashi dedicou sua vida a alcançar a perfeição através da arte da espada. Lutou e venceu mais de 60 duelos de vida ou morte, e nunca foi derrotado. Travou contato com outras formas de arte, como pintura, escultura, caligrafia e poesia, além da meditação Zen e o Budismo. Deixou seu estilo de luta, um grande legado de obras de arte e o mais importante tratado de estratégia do Japão, O Livro dos Cinco Anéis (Gorin no Sho).
Infância e Juventude
Musashi Sensei, ou Shinmen Musashi-no-Kami Fujiwara no Genshin, como se apresenta na introdução de O Livro dos Cinco Anéis, nasceu na província de Harima durante um dos mais conturbados períodos da história do Japão, quando aconteceram as últimas grandes batalhas da época dos Samurais. 
Na época, era comum no Japão uma mesma pessoa mudar seu nome em diferentes fases da vida. Na infância, Musashi Sensei era chamado de Shinmen Bennosuke. Acredita-se que recebeu as primeiras instruções de Kenjutsu de seu pai, Shinmen Hirata Munisai.

Como relata em O Livro dos Cinco Anéis, seu primeiro duelo aconteceu quando tinha apenas 13 anos. Aos 16 anos venceu outro guerreiro habilidoso, chamado Tadashima Akiyama.

A batalha de Sekigahara e os duelos em Kyoto
Em 1600, aconteceu a batalha de Sekigahara que definiu os rumos do Japão pelos próximos três séculos. Foi a partir desta batalha que Tokugawa Ieyasu ascendeu ao poder, tornando-seshogun, e teve início o período Edo (1603-1868). Nos caóticos primeiros anos do Período Edo, Musashi Sensei viveu sua juventude. Acredita-se que na batalha de Sekigahara lutou no lado derrotado como um partidário de Ukita Hideie. Mesmo assim, conseguir sobreviver ao confronto e à posterior caça aos derrotados.

Em 1604, aos 21 anos, Musashi Sensei ressurge em Kyoto e sua fama se espalha pelo Japão ao vencer três duelos contra a importante família Yoshioka que, décadas antes, tinha sido instrutora de Kenjutsu do antigo shogun Ashikaga.

Foram três duelos. Nos dois primeiros enfrentou os chamados "irmãos kenpo", Seijuro e Denchijiro. Após vencê-los, os partidários dos Yoshioka já não viam mais Musashi Sensei como um oponente, mas como uma ameaça. Queriam vingança, e para isto armaram um terceiro embate contra Matashichiro, filho de Seijuro, um garoto de 13 anos. Matashichiro contaria com a ajuda dos demais alunos da escola. Relatos falam do embate de Musashi Sensei contra 60 oponentes armados com espadas, lanças, arco e flecha e até mosquetes.

Musashi Sensei abateu Matashichiro e todos os alunos da academia Yoshioka que se colocaram em seu caminho. Este foi o fim da, uma vez orgulhosa, academia Yoshioka e o início da lenda de Miyamoto
Musashi.

Peregrinação Guerreira

Nos anos seguintes, Musashi Sensei continuou viajando pelo Japão em Musha Shugyo, ou seja, peregrinação guerreira em busca de embates. Confrontou muitos desafiantes, principalmente depois que sua fama se espalhou pela vitória arrasadora sobre os Yoshioka. Dentre os duelos mais importantes desta época se destacam: 

  • Monges guerreiros do templo Hozoin, famosos por seu estilo de Sojutsu (ou Yarijutsu - técnica de luta com lança);

  • Muso Gonnosuke, fundador do estilo de Jojutsu (técnica com bastão) Shindo Muso Ryu, também praticado no Instituto Niten. Gonnosuke criou o Jojutsu depois de perder o primeiro embate contra Musashi Sensei, como uma possível forma de vencê-lo. Existe um relato sobre uma possível segunda luta entre os dois, onde Gonnosuke teria empatado com Musashi Sensei, sem nenhum dos dois se declarando vencedor;

  • Shishido Baiken, um especialista na kusarigama, a foice com corrente. É uma arma exótica e de uso difícil, que também é praticada em alguns dos estilos ensinados no Instituto Niten.

O Duelo contra Sasaki Kojiro

Monumento ao duelo dos dois grandes samurais
na ilha de Funajima

O mais famoso e importante duelo de Musashi Sensei aconteceu em 1612, quando enfrentou Sasaki Kojiro, fundador do estilo Ganryu e conhecido como um dos mais habilidosos samurais de todos os tempos.
Diferentemente de Musashi Sensei, que vinha desenvolvendo seu próprio estilo a partir de suas experiências de combate, Kojiro vinha de uma notória e famosa linhagem. Estudou a espada com um famoso mestre da época, Toda Seigen, do Chujo Ryu e com Kanemaki Jisai, seu discípulo. Jisai foi o mestre do famoso Itto Itosai, fundador do Itto Ryu, um dos estilos mais importantes da época.

Na época do duelo, Kojiro era instrutor de Hosokawa Tadaoki, um importante senhor feudal. Musashi Sensei conseguiu permissão para duelar com Kojiro através de Nagaoka Sado, um antigo amigo de sua família que era conselheiro do senhor Hosokawa.
O duelo aconteceu na ilha de Funajima. A estratégia de Musashi Sensei para esse duelo foi deixar o oponente esperando. Duas horas depois do combinado para o duelo, ele partiu em um bote. Musashi Sensei sabia que Kojiro utilizava uma espada extralonga e fazia uso da distância que conseguia impor com essa arma. Para anular essa vantagem, Musashi Sensei fez uma longa espada de madeira utilizando um remo quebrado.
O embate foi rápido porém intenso. Ambos atacaram simultaneamente. O golpe de Musashi Sensei sobre o crânio de Kojiro com a pesada espada-remo foi certeiro. Conta-se que o golpe de Kojiro chegou a cortar o lenço que Musashi Sensei usava amarrado na cabeça e fez um corte superficial em sua testa. Mesmo após cair, Kojiro tentou ainda um segundo golpe, visando as pernas de Musashi Sensei, que saltou para evitar o golpe e acertou Kojiro com força nas costelas, matando então seu oponente.
Assim, segundo relatos, se deu o possível duelo mais célebre entre samurais.

Nesta época, Musashi Sensei estava se aproximando da idade de 30 anos. O duelo contra Kojiro teve um grande efeito sobre Musashi Sensei. Conforme contou em sua obra, o Livro dos Cinco Anéis (Gorin No Sho), refletiu sobre as vitórias que alcançara até então, mas não conseguiu descobrir por que vencera tantos duelos. Teria sido sua aptidão física? Ou a falta de preparo de seus adversários? Ou talvez a vontade divina?

Foi essa reflexão que influenciou o restante da vida de Musashi Sensei. Dedicou-se, então, em deixar para as gerações futuras seu legado por meio de seu estilo, que chamou de Niten Ichi Ryu.

Foi a partir desta época que entrou em contato também com outras manifestações artísticas, como pintura, escultura, poesia e até mesmo arquitetura. 

Amadurecimento

Em 1621, Musashi Sensei teve um duelo famoso, não pelo renome do oponente, mas por este ser o primeiro registro oficial de um duelo em que utilizou a técnica de duas espadas que até hoje caracteriza o Hyoho Niten Ichi Ryu. Miyaki Gunbei seu oponente, atacou Musashi Sensei repetidas vezes, tendo sua espada bloqueada a cada ataque. Deseperado, Gunbei desferiu uma estocada, que foi bloqueada pela espada curta de Musashi Sensei, ao mesmo tempo que a espada longa desferia um ataque ao rosto de Gunbei. Reconhecendo a derrota, Gunbei pediu desculpas por ter desafiado Musashi Sensei e pediu para se tornar seu discípulo.

Musashi Sensei nunca se casou, mas adotou dois filhos, Mikinosuke e Iori. Ambos se tornaram vassalos de importantes senhores feudais.

Musashi sensei não era visto como um simples ronin. Era considerado um mestre no Caminho e uma pessoa de grande sensibilidade e sabedoria, um conselheiro a ser escutado e um mestre a ser seguido. Era convidado freqüentemente para ficar em importantes feudos e tinha em seu círculo interno importantes personalidades, como o monge Takuan Soho (conselheiro do Shogun Tokugawa), Honami Koetsu (importante artista do movimento chamado "renascença de Kyoto") e dos senhores feudais Ogasawara Tadazane e Hosokawa Tadatoshi. Com este último em especial, Musashi Sensei desenvolveu uma amizade muito profunda.

Musashi Sensei conta no Livro dos Cinco Anéis que aos 50 anos finalmente alcançou a compreensão total da estratégia. O nível de profundidade alcançado no Caminho foi tão profundo que, conforme suas palavras, foi capaz de perceber o Caminho em tudo. Podemos constatar isto vendo as obras de arte que deixou. Algumas de suas obras de pintura, escultura e caligrafia chegaram até nossos dias. Ao alcançar a perfeição técnica na espada, alcançou também a perfeição nesses Caminhos.

Os últimos anos do grande mestre

O maior legado que deixou para as futuras gerações foi seu estilo, o Hyoho Niten Ichi Ryu, resultado de sua experiência no combate e profunda percepção da vida que conseguiu. Em nossa linhagem, o estilo é praticado da mesma maneira de Musashi Sensei idealizou. 

Musashi Sensei passou seus últimos anos em Kumamoto, como hóspede de seu amigo, Hosokawa Tadatoshi. A pedido deste, deixou registrado seu estilo e seu modo de pensar na obra “35 artigos na arte do kenjutsu”. Em Kumamoto ensinou o Hyoho Niten Ichi Ryu para seus discípulos e se dedicou ao estudo do budismo, à meditação e ao desenvolvimento artístico. 

No final de sua vida Musashi Sensei se isolou na caverna de Reigando, onde se dedicou à meditação e à prática ininterrupta de seu estilo. Lá escreveu O livro Dos Cinco Anéis, deixando os ensinamentos de seu estilo ao discípulo Terao Magonojo.

Musashi Sensei faleceu no dia 19 dia de maio de 1645. A seu pedido foi enterrado com a armadura completa na vila de Yuji, próximo à montanha de Iwato. Conta-se que durante seu funeral um forte trovão se fez ouvir dos céus, como se estes dessem as boas-vindas ao poderoso guerreiro.

Fonte - Site Instituto Niten




18 novembro, 2011

A História da Katana


Katana ou Catana - é o sabre longo japonês. Surgida no Período Muromachi, era a arma padrão dos samurais e também dos ninjas para a prática do kenjutsu, a arte de manejar a espada. Tem gume apenas de um lado, e sua lâmina é ligeiramente curva. Era usada tradicionalmente pelossamurais, acompanhada da wakizashi (脇差). A katana era usado em campo aberto, enquanto a wakizashi servia para combate no interior de edifícios. Apesar dos samurais terem desenvolvido tradicionalmente a esgrima usando uma espada manejada pelas duas mãos juntas, existem estilos de kenjutsu que possuem técnicas com ambas as espadas ao mesmo tempo, como por exemplo o Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu e o Niten Ichi Ryu de Miyamoto Musashi. Em sua obra, Gorin no Sho (O Livro dos Cinco Anéis), Musashi advoga o uso das duas espadas, dizendo ser "indigno do samurai morrer com uma espada ainda embainhada". O conjunto das duas armas chama-se daisho (大小), literalmente "grande e pequeno", e podia ser usado apenas pelos samurais, representando seu prestígio social e honra pessoal. A diferença entre a espada ninja (Ninja-to) e a katana samurai se dá na sua forma, sendo que a ninja tem forma reta e ponta também reta, tendo a lâmina não tão afiada (em razão da pratica do "doku no jutsu" - envenenamento), já a samurai possui uma leve curvatura e ponta semi-curva, muito bem afiada. Isso se dá a diferença de que o ninja carrega sua espada nas costas, portanto um corte vertical de cima para baixo, e o samurai levar sua espada na altura da cintura realizando um corte transversal de baixo para cima ou horizontal.
A espada Katana era muito mais do que uma arma para um samurai: era a extensão de seu corpo de sua mente. Forjadas em seus detalhes cuidadosamente, desde a ponta, até a curvatura da lâmina eram trabalhadas totalmente a mão. Assim, os samurais virtuosos e honrados faziam de sua espada uma filosofia de vida. Para o samurai, a espada não era apenas um instrumento de matar pessoas, mas sim uma forma de fazer a justiça e ajudar as pessoas. A espada ultrapassava seu sentido material; simbolicamente, era como um instrumento capaz de "cortar" as impurezas da mente.
Havia ainda um sabre pequeno, chamado tantô, que era utilizado não apenas para combates, mas também para o ritual do seppuku (suicídio ritual). A diferença básica entre as três era o tamanho, tendo a Katana um comprimento de 60 ~ 90 cm de lâmina (hamon); a Wakizashi entre 30 ~ 60 cm; e o tantô um comprimento de cerca de 30 cm. Cada espadachim escolhia as espadas de acordo com as suas preferências, tanto em termos de forja, quanto em termos de comprimento e curvatura da lâmina.
As medidas das espadas japonesas são referenciadas em shaku (equivalente a 30 cm). Qualquer lâmina menor que um shaku é considerada uma tanto; se o comprimento da lâmina for entre um e dois shaku então ela é considerada uma shoto (é a categoria da Wakizachi e Kodachi); se a lâmina possuir um comprimento maior que dois shaku, então ela é considerada uma Katana; e, ainda, se a lâmina tiver de quatro a cinco shaku, ela é considerada uma Masamune (Katana de três punhos)
Afora estes, existem muitas outras variantes de sabres japoneses.
Kenjutsu, Kendo, Iaidô e Iaijutsu são as artes marciais comumente associadas ao manejo da Katana.
A espada foi a arma mais usada no Japão medieval, principalmente após sua unificação pelo Shogun Tokugawa Ieyasu (início do séc XVII), período de muitos duelos entre samurais. Tão grande era sua importância que foi declarada privilégio exclusivo da classe guerreira em 1588. “A espada é a alma do samurai”, disse Tokugawa Ieyasu.
Um samurai era facilmente reconhecido pelas ruas por portar duas espadas presas ao obi, uma longa, a Katana (de 60 a 102 cm), usada nas lutas em locais amplos, e uma menor, a Wakizachi (de 30 a 60 cm), para espaços fechados. O Daishô, nome dado ao conjunto, representava o estatuto máximo dos samurais, simbolizando o orgulho e emblema do guerreiro. Havia uma terceira arma, o Tanto, uma faca fina que ficava escondida e era usada só em emergências.
A história da Katana está ligada à história do Japão e ao desenvolvimento das técnicas de luta. Sua denominação muda conforme o período ao qual as peças pertencem.
Jokoto
Durante o período Jokoto (800 d.C.), as espadas usadas eram retas, com fio simples (a Chokuto) ou duplo (Ken) e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas sugerem que elas eram feitas por artesãos chineses e coreanos que trabalhavam no Japão.
Koto
A partir do período Heian (794-1185), surge o termo Nipponto ou Nihonto, que significava “espada japonesa” (nippon=japão, to=espada). A mudança no estilo de luta criou a necessidade de alteração no seu formato. Não se guerreava mais a pé, mas sim a cavalo. As espadas tornaram-se longas, curvadas, com uma base mais larga e forte e uma ponta bem fina. As espadas desta época são chamadas de Tachie representam a categoria das antigas espadas ou Koto.
Neste período, as inscrições nas espadas derivavam, de motivos budistas, representando a forte ligação do cuteleiro com a religião e com seu trabalho. Foi criado o método de forjar com a superfície extremamente dura e o núcleo macio.
O período Kamakura (1185-1333), com o Japão sob domínio da classe guerreira, foi considerado a época de ouro da espada japonesa. Muitas espadas consideradas tesouro nacional foram produzidas neste período.
A Katana (a clássica arma dos samurais) surgiu no período Muromachi. Com os feudos em guerra, enquanto os exércitos cresciam, os soldados a cavalo se tornavam mais raros e a força principal vinha daqueles que combatiam a pé. Variando entre 60 a 90 cm no comprimento e com lâmina de largura uniforme, eram mais fáceis de carregar e mais rápidas para sacar.
Shinto
Era Edo. Iniciou-se o governo de Tokugawa e, apesar das armas de fogo já fazerem parte do armamento dos exércitos, as espadas ainda eram produzidas e de forma ainda mais refinada, com a matéria-prima mais acessível e a troca de experiência entre os cuteleiros que passaram a viajar com os exércitos.
As espadas deste período são conhecidas como espadas novas.
Esta fase foi curta, pois com a unificação interna do Japão, foi instituída uma lei proibindo o porte de espadas pelos samurais. Soma-se a isto a inflação e a queda na qualidade do aço produzido, piorando a qualidade das espadas.
Gendaito
Espadas feitas a partir da era Meiji são chamadas de espadas modernas ou Gendaito. Estas foram feitas na maior parte para os oficiais militares japoneses, para rituais e ocasiões públicas. Apesar de possuírem as mesmas formas de uma espada tradicional, não tinham as características principais do artesanato (feito a mão) e do aço não industrial.


ESQUEMA DE UMA KATANA





Fonte - Wikipédia (A história da Katana)



Márcio Teixeira Sensei - 4° Dan (Presidente da Shoyukan Aikikai Brasil)

Márcio Teixeira Sensei  Aikikai Yondan (180241) Presidente da Shoyukan Aikikai Brasil Representante AIC/Brasil - RJ O Sensei Márcio Teixeira...